Anna is an Economist and Fashion Designer. Ocasionally modelling, photographing and writing in spare time.

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Far Down The Rabbit Hole

Art, Books, Music, Fashion, Cinema and other Cultural stuff.

Masquerade, every face a different shade…

Vou inaugurar meu blog (finalmente me rendi aos “tempos modernos”) escrevendo sobre um dos eventos mais glamourosos em que já estive: a premiére do filme “The Phantom of the Opera”, em dezembro de 2005. É claro, isso foi em Londres.

A idéia veio porque acabei de ler o livro “The Devil Wears Prada”, que basicamente fala sobre o mundo da Moda numa grande revista americana e de uma jovem que tenta sobreviver nesse meio ditador de tendências e padrões estéticos. Além do glamour, os dois acontecimentos tem em comum uma pessoa - minha amiga Marina - que foi quem me convidou para a premiére e quem tb me presenteou com o livro no meu último aniversário.

Fui pra festa sem nenhuma pretensão. Ia apenas fazer compania pra uma amiga na pré-estréia do filme e o grande barato era que veríamos o filme antes da maioria das pessoas (especialmente as pessoas do Brasil, onde o filme seria lançado apenas em março do ano seguinte).

Vesti minha batinha rosa de 15 pounds comprada na Boon Boutique, em Camden Town, a velha calça social preta, um sapato bicudo quase sem salto - afinal, teríamos que pegar a Bakerloo Line do Queen’s Park até Piccadilly pra chegar no Cine Odeon em Leicester Square. Enquanto Andreah sofria em cima dos saltos 10 sempre que sua chefa estava na Runway, eu me sentia leve e solta sem que nenhum chefe estivesse a menos do que um oceano de distância.

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Sentamos na última fileira do cinema e ao meu lado estava um rapaz novo, com uns 20 e poucos (muito poucos) anos, entusiasmado e querendo conversar. Ele perguntou porque eu estava alí, num inglês sem nenhum sotaque britânico e eu orgulhosamente respondi que tinha sido convidada por uma amiga jornalista de cinema. Os olhos deles brilhavam e ele me disse que havia ganhado o ingresso e a passagem num concurso na Austrália, onde vivia. Me indaguei que espécie de concurso seria esse, mas não ousei perguntar para não alimentar a enorme vontade que o rapaz demonstrava em falar sobre como estava deslumbrado com aquilo tudo. Eu não queria ouvir - queria curtir aquele momento mágico com a minha amiga. Além disso, aquele sotaque não combinava com a atmosfera do lugar.

As luzes se apagaram e aplausos começaram quando todo o cast do filme se colocou no palco, em frente a grande tela. A Marina ia me contando - “aquele é o Joel Schumacher, o Diretor, ele é um cara muuuito engraçado”. Isso eu pude comprovar logo de início, pois suas primeira palavras em resposta aos afetados aplausos foram - “Thanks. I did all by myself”. E a Má continuava sua narrativa - “a Minnie Driver faz o papel da Carlotta; na minha opinião é a mulher que mais brilha no filme! Vc conhece a Miranda Richardson? Ela é uma das mais talentosas atrizes inglesas. Agora, cá entre nós, o Gerry é um dos caras mais sexy que eu já vi: dá de dez a zero no mocinho. O único defeito dele é que ele mexe a boca de um jeito estranho quando fala”… E eu ia sendo introduzida naquele mundo novo, afinal, as únicas celebridades de quem eu já tinha ouvido falar eram o Diretor e o Andrew Lloyd Webber. Meu único comentário foi que o Andrew Lloyd Webber me lembrava o Maurício de Souza depois de muitas plásticas.

Assim que o filme começou, os meus olhos foram imediatamente em direção do Fantasma e do mocinho (mais conhecido com Patrick Wilson) na vontade enorme de ter logo a minha opinião formada sobre qual seria o mais bonito e contar pra minha amiga! Com a big screen era mais fácil ter logo uma opinião, porque, sem os meus óculos, não pude chegar a conclusão alguma vendo os dois em carne e osso, pequenininhos, lá em cima do palco.

Quando o filme acabou, nós duas estávamos em transe, se imaginando cada qual com o seu príncipe encantado (no caso o mesmo príncipe, porque eu tb achara o Gerry muito mais lindo que o “Raoul”), dançando num estonteante baile de máscaras, recebendo rosas e totalmente entregues à ele, como no filme. Protegidas, amadas eternamente, sendo disputadas em duelos de espadas…

Nossa fantasia começou a se materializar quando, depois do filme, fomos levadas, junto com uma parte restrita do público para a festa, em Kensington. Novamente sob o tapete vermelho e flashs, entramos numa antiga estação de trem que havia sido maravilhosamente preparada para nos receber.

Com os patrocinadores Moët & Chandon, Lindt e Swarovski, era impossível a festa ser mais charmosa. Deixava qualquer temporada de desfiles em Paris sem brilho (imagino eu). A decoração era uma réplica perfeita dos variados cenários do filme, com muitos chandeliers de crital, velas e rosas vermelhas, sem falar dos atores (desconhecidos) contratados para dançar e entreter os convidados. Eles trajavam roupas de época e máscaras - “Masquerade, every face a different shade, Masquerade!”.

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A Marina me contava cada detalhe do que os atores haviam dito para ela na entrevista que fizera naquela semana. Claro que o grande foco era o Gerard Butler, o Gerry, um escocês misterioso e revoltado, que foi descoberto como ator bem tarde, próximo dos 30 anos, enquanto bebia em um pub. Antes disso ele havia se formado (acho que em Direito) e tocava em uma banda de rock. Pensara em suicídio e tinha todo aquele lado obscuro que tanto atrai as mulheres - o próprio Fantasma! E eis que o Gerry aparece a poucos metros de onde estávamos a tagarelar sobre ele. Tranquilo e simpático, super assediado. Nós de longe observávamos tudo, as mulheres que se insinuavam, colavam os lábios no ouvido dele, cochichando coisas… e nós duas imaginando o que estava acontecendo, se aquelas pessoas se conheciam e sobre o que estariam falando.

Gostávamos de pensar que ele estava sempre olhando na nossa direção com o canto do olho, o que pode ter sido verdade, não fosse aquele momento de fantasia coletiva que me gera dúvidas até hoje.

Depois de muitos lindts e alguns Möet Chandon, nosso Gerry sumiu. Eu fiquei mortificada. Como era possível eu, tímida como uma pata não ter tido coragem de falar com ele? Eu nunca mais ia vê-lo na vida, porque raios não tive coragem de me aproximar e pedir pra tirar uma foto? Porque me acharia ridícula, porque não queria dar o braço a torcer e colocá-lo num pedestal como todo mundo ali (as mulheres, especificamente). Quando já estava quase me sentindo uma loser, nosso Fantasma reapareceu! Eu falei pra Marina - “Vou pedir pra tirar uma foto com ele” - e saquei a câmera. Eu estava quase que possuída, lutando com todas as minhas forças contra minha timidez. E ela morrendo de vergonha da amiga tiete, implorando pra eu não fazer isso. Ela queria morrer, porque tinha certeza de que ele se lembrava dela, da recente entrevista que fizera.

Eu fui mesmo assim, nem sei direito o que eu disse pra ele, mas acho que foi algo do tipo - “adoro seu trabalho, vc é muito talentoso. Sou sua fã. Posso tirar uma foto?” Ele sorriu e disse - “Sure, babe” - e eu estiquei meus braços e tirei a foto, que orgulhosamente compartilho neste blog. Sumi logo em seguida, desperta do transe e já morrendo de vergonha, querendo sumir instantaneamente daquele lugar!

A façanha estava feita e nós duas vibrávamos como duas teenagers. Como Andreah e Lily.
Fomos dançar, logo mais o Gerry veio dançar tb, mas eu já não estava nem aí. A noite já estava ganha. Depois de eu ter desperdiçado uma oportunidade, eu tive coragem para fazer diferente quando a chance apareceu de novo! Eu havia me superado e estava feliz por isso.

Pegamos nossos mimos (uma sacolinha com presentes especiais dos patrocinadores para os convidados), caminhamos novamente pelo tapete vermelho e entramos numa van, que nos levou até Piccadilly Circus. De lá pegamos um night bus e fomos pra casa.

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1 Comment

  • Tuesday, 12 September 2006, 6:37
    By M.

    Amiga, que bacana reviver aquela noite através do seu relato. Bem-vinda à blogsfera. beijos.

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